Tartarugas Marinhas de Cabo Verde
Plataforma de divulgação do trabalho em defesa das Tartarugas Marinhas em Cabo Verde
06 Fevereiro 2009
Os resultados do estudo efectuado demonstram que, desde tempos remotos, as tartarugas são visitantes sistemáticos das praias e águas destas ilhas. Em São Nicolau e Santo Antão, esses animais já tiveram um importante papel em épocas difíceis, particularmente entre 1943 e 1952, período de grandes fomes e guerra. Nesses tempos, um bote vindo do alto mar erguia duas bandeiras, uma vermellha e uma branca, indicando a captura de duas tartarugas, o que era motivo de grande festa, pois representava comida para os menos favorecidos. Portanto, uma ou duas bandeiras, não importava; tinha-se que festejar a vida, um dia mais em tempos difíceis e de poucos recursos, de isolamento imposto pela Segunda Guerra Mundial.
 
Na actualidade, em São Vicente, Santo Antão e São Nicolau a carne de tartaruga é ainda consumida. Nas duas últimas ilhas, provavelmente isso esteja ligado a uma tradição que poderá ter sido perfilhada da combinação do difícil acesso a alimentos com a necessidade de variar uma dieta monótona baseada exclusivamente em peixe.

    
Um segmento do “cordão” de tartaruga, vendido como afrodisíaco nalgumas ilhas de Cabo Verde (foto Sonia Elsy Merino)

Aliado a esta realidade, surge no presente todo um conjunto de mitos que atribuem propriedades afrodisíacas à carne ou ao pénis dos machos, o que promove a procura do “cordão” como fonte de fortalecimento da capacidade sexual. Curiosamente, os pescadores das três ilhas concordam que, a existir algum mercado nesta região, este está estreitamente ligado à procura do efeito afrodisíaco do “nervo” e é, em grande parte, dinamizado pelos emigrantes que, desde o exterior ou quando vêm de férias, encomendam o “material”.
 
 
 
Destacam-se, todavia, as propriedades curativas atribuídas aos produtos de certas espécies, em tempos idos usados no tratamento da asma e contra parasitas intestinais ou da pele.
 

Na praia da Laginha, num ninho monitorizado pela população Mindelense ao longo de 57 dias eclodiram 88 tartaruguinhas nascidas vivas foi  (foto Sandra Correia)

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Para preservar as tartarugas em Cabo Verde realiza-se, actualmente, uma forte campanha de sensibilização contra o seu consumo e comercialização, promovendo o envolvimento e o apoio das populações locais. Neste sentido, a comunidade da Cruzinha, em Santo Antão, a população de Tarrafal São Nicolau e o INDP, no Mindelo, com apoio das Câmaras Municipais das três ilhas envolvidas no estudo, desenvolveram no Verão de 2006 campanhas de protecção de praias de desova e monitorização de ninhos. Na praia da Laginha (São Vicente), um ninho com 110 ovos e 88 tartaruguinhas nascidas vivas foi monitorizado ao longo de 57 dias. Isto só foi possível com o apoio de toda a População Mindelense na protecção do ninho.
publicado por INDP às 11:40
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