Tartarugas Marinhas de Cabo Verde
Plataforma de divulgação do trabalho em defesa das Tartarugas Marinhas em Cabo Verde
17 Fevereiro 2009

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"Projecto do INDP para a conservação das Tartarugas Marinhas"

 

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Obrigado.

publicado por INDP às 17:22
07 Fevereiro 2009
Resultados da campanha de comunicação

 
 
 
 
Panorâmica do civismo e orgulho da população durante os 57 dias de guarda do ninho na praia da Laginha, na cidade do Mindelo (fotos de Sandra Correia e Sonia Elsy Merino)

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Foi realizado um trabalho de consciencialização e sensibilização tanto localmente como através dos meios de comunicação social. Um esquema de entrevistas foi desenvolvido nas comunidades em que teve lugar a realização do inquérito, quer na residência dos entrevistados quer nos pontos de encontro dos pescadores. Foram, ainda, envolvidos os representantes das autoridades locais nos trabalhos nocturnos de monitorização de tartarugas nos locais identificados nos inquéritos como sendo os mais frequentados pelas tartarugas. Em algumas oportunidades envolveu-se voluntários entre a juventude local para o desenrolar dos inquéritos. Foi, também, produzido, publicado e distribuído material de apoio à conservação, entre brochuras e poster. Uma campanha de sensibilização teve lugar na praia da Laginha, de modo a aproveitar ao máximo a ocorrência de uma fêmea Caretta caretta com a vantagem de ter feito um ninho nessa populosa praia de Verão.
 
Em São Vicente, a população local (~60.000 habitantes) de uma ou de outra forma foi envolvida ao longo do período de incubação, o que se prolongou por 57 dias. Eventualmente, 110 ovos foram contados no ninho, do qual 88 pequenas tartarugas eclodiram e foram acompanhadas até o mar. 22 Ovos não desenvolveram totalmente ou os embriões eram inférteis. Os principais resultados da campanha de sensibilização e informação mostram-nos que a população protegeu o ninho, já que nos primeiros 45 dias de incubação este esteve sob o cuidado dos Mindelenses. A protecção directa, com ajuda de voluntários, foi iniciada 15 dias antes da eclosão. Ainda, como resultado da campanha, mais pessoas ficaram a saber da existência de tartarugas marinhas na área à volta das três ilhas e intervieram activamente na campanha contra a apanha e a comercialização.
 
Actualmente, as autoridades locais sentem-se mais seguras na implementação da legislação e lutam contra a captura ilegal desses animais, punindo os infractores. A partir da campanha de 2006, a população local vem informando dos casos de encontro com tartarugas que têm tido lugar na nossa zona, defendem-nas da apanha e protegem-nas, para a sua conservação. É cada vez maior o número de professores que nos solicitam apoio técnico e envolvimento nas campanhas escolares de conservação. Ao nível local, algumas campanhas espontâneas de conservação tiveram lugar na Comunidade da Cruzinha, em Santo Antão.
 
Concluímos que a nossa campanha regional de conservação das tartarugas marinhas em 2006 foi um sucesso. Os trabalhos continuam cada vez com mais envolvimento e entusiasmo por parte das populações e instituições locais preocupadas com a protecção ambiental. A preservação para a conservação da Biodiversidade é uma tarefa de todos. Protegendo os recursos naturais de Cabo Verde estamos a preservar o património ecológico, cultural e económicos destas ilhas.
 

Para finalizar, o apelo vai para a consciência do Povo das Ilhas, para o cumprimento da lei por consciência e não só coerção, para lutar contra a captura e depredação de tartarugas marinhas que não são mais a única fonte de proteína animal. E assim, nossos filhos, os filhos dos nossos filhos, e as gerações vindouras possam enriquecer o espírito, produzindo mais belas mornas que falam de Cabo Verde, sua natureza exótica e do Mar que tanto intimida como inspira, escraviza mas também liberta, temperando o Coração Crioulo. As tartarugas marinhas e os seres humanos são um elo mais no ecossistema Biosfera, cada um com especificas funções contribuindo para o seu equilíbrio. Contribuindo para a protecção e conservação desses animais, para o equilibro ecológico, protegemos o património natural e cultural dos povos e contribuímos para a sobrevivência das gerações futuras.

 



 As Tartarugas Marinhas são Espécies protegidas pelo decreto-lei nº 7/2002 de 30 de Dezembro.
 
publicado por INDP às 11:49
06 Fevereiro 2009
Os resultados do estudo efectuado demonstram que, desde tempos remotos, as tartarugas são visitantes sistemáticos das praias e águas destas ilhas. Em São Nicolau e Santo Antão, esses animais já tiveram um importante papel em épocas difíceis, particularmente entre 1943 e 1952, período de grandes fomes e guerra. Nesses tempos, um bote vindo do alto mar erguia duas bandeiras, uma vermellha e uma branca, indicando a captura de duas tartarugas, o que era motivo de grande festa, pois representava comida para os menos favorecidos. Portanto, uma ou duas bandeiras, não importava; tinha-se que festejar a vida, um dia mais em tempos difíceis e de poucos recursos, de isolamento imposto pela Segunda Guerra Mundial.
 
Na actualidade, em São Vicente, Santo Antão e São Nicolau a carne de tartaruga é ainda consumida. Nas duas últimas ilhas, provavelmente isso esteja ligado a uma tradição que poderá ter sido perfilhada da combinação do difícil acesso a alimentos com a necessidade de variar uma dieta monótona baseada exclusivamente em peixe.

    
Um segmento do “cordão” de tartaruga, vendido como afrodisíaco nalgumas ilhas de Cabo Verde (foto Sonia Elsy Merino)

Aliado a esta realidade, surge no presente todo um conjunto de mitos que atribuem propriedades afrodisíacas à carne ou ao pénis dos machos, o que promove a procura do “cordão” como fonte de fortalecimento da capacidade sexual. Curiosamente, os pescadores das três ilhas concordam que, a existir algum mercado nesta região, este está estreitamente ligado à procura do efeito afrodisíaco do “nervo” e é, em grande parte, dinamizado pelos emigrantes que, desde o exterior ou quando vêm de férias, encomendam o “material”.
 
 
 
Destacam-se, todavia, as propriedades curativas atribuídas aos produtos de certas espécies, em tempos idos usados no tratamento da asma e contra parasitas intestinais ou da pele.
 

Na praia da Laginha, num ninho monitorizado pela população Mindelense ao longo de 57 dias eclodiram 88 tartaruguinhas nascidas vivas foi  (foto Sandra Correia)

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Para preservar as tartarugas em Cabo Verde realiza-se, actualmente, uma forte campanha de sensibilização contra o seu consumo e comercialização, promovendo o envolvimento e o apoio das populações locais. Neste sentido, a comunidade da Cruzinha, em Santo Antão, a população de Tarrafal São Nicolau e o INDP, no Mindelo, com apoio das Câmaras Municipais das três ilhas envolvidas no estudo, desenvolveram no Verão de 2006 campanhas de protecção de praias de desova e monitorização de ninhos. Na praia da Laginha (São Vicente), um ninho com 110 ovos e 88 tartaruguinhas nascidas vivas foi monitorizado ao longo de 57 dias. Isto só foi possível com o apoio de toda a População Mindelense na protecção do ninho.
publicado por INDP às 11:40
05 Fevereiro 2009
Nas ilhas de Santo Antão, São Nicolau e São Vicente existem quatro espécies: a tartaruga comum (cabeçuda/cabeça vermelha), a tartaruga parda (verde), a tartaruga “strongby” (preta/couro) e a tartaruga de casco levantado (chamada localmente cágado ou caguin, dependendo do tamanho, etc.). São vistas nas praias a desovar, nas baías a boiar, nos fundos costeiros a descansar ou a alimentar-se, mas também entre as ilhas, nos canais, e no mar alto.
 

A tartaruga de casco  levantado,  Eretmochelys imbricata ,chamado também cágado, é uma das espécies de tartarugas marinhas existentes em Cabo Verde (foto de Sonia Elsy Merino)

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Uma carapaça de “caguim”, como são também localmente nomeados, juvenis da tartaruga verde (Chelonia mydas), colectado pelos pescadores entre restos de redes deixados no mar pela pesca industrial , geralmente estrangeira na região. (foto Sandra Correia)
 
Entre as maiores ameaças e perigos à população local de tartarugas marinhas surgem o desaparecimento das praias arenosas devido à apanha de areia para construção civil; a erosão costeira devida ao desvio do caudal das ribeiras promovido pela construção de estradas; e a forte iluminação das praias de desova. Os pescadores mais experientes avançam, ainda, que uma das maiores ameaças pode ser atribuída à pesca industrial estrangeira, a pesca de atum e o arrasto (as redes perdidas no mar pelos grandes barcos de pesca). Anualmente, morrem muitas tartarugas apanhadas acidentalmente com esses engenhos.
 
Em Cabo Verde a legislação nacional protege e penaliza a posse, o consumo, o comércio de indivíduos, carne e ovos. Igualmente, penaliza a degradação ou transformação do seu habitat e a perturbação destes animais na época de reprodução.

Os resultados do estudo efectuado demonstram que, desde tempos remotos, as tartarugas são visitantes sistemáticos das praias e águas destas ilhas. Em São Nicolau e Santo Antão, esses animais já tiveram um importante papel em épocas difíceis, particularmente entre 1943 e 1952, período de grandes fomes e guerra. Nesses tempos, um bote vindo do alto mar erguia duas bandeiras, uma vermellha e uma branca, indicando a captura de duas tartarugas, o que era motivo de grande festa, pois representava comida para os menos favorecidos. Portanto, uma ou duas bandeiras, não importava; tinha-se que festejar a vida, um dia mais em tempos difíceis e de poucos recursos, de isolamento imposto pela Segunda Guerra Mundial.
publicado por INDP às 09:17
04 Fevereiro 2009

 

AUTORES: Sonia Elsy Merino, Sandra Correia, Maria Auxilia Correia, Iolanda Cruz, Elisia Cruz
INDP, Mindelo, São Vicente, Cabo Verde
Revisão redacção, Dra. Telma Maria C. Vieira Viegas
 
O Arquipélago de Cabo Verde e a Conservação das Tartarugas Marinhas
 
As tartarugas marinhas são espécies mundialmente protegidas. Algumas delas, como por exemplo a tartaruga de couro (Dermochelys coreacea), conhecida localmente como “Strongby”, são classificadas como estando em sério perigo de extinção. Para contrariar esta tendência ao nível do território nacional, o Governo de Cabo Verde vem desenvolvendo, desde 1993, sistemáticos esforços visando a protecção e a preservação destes animais marinhos. O longo trabalho de consciencialização que tem sido feito contra o consumo e a comercialização destas espécies emblemáticas, bem como o incentivo à investigação, não teria sido possível sem a cooperação e apoio de técnicos instituições e de organizações não governamentais ligados ao ambiente, tanto nacionais como estrangeiras, nomeadamente: o Atelier Mar; a Associação dos Amigos do Calhau (São Vicente); e o Programa Regional de Conservação do Ambiente Marinho e Costeiro da África Ocidental – PRCM, no qual estão envolvidos a União Internacional para a Conservação da Natureza – UICN a Fundação Internacional do Banco de Argin – FIBA, o Fundo Mundial para a Natureza – WWF e a Weatland International – WI; o Projecto Natura 2000 na Boavista; as equipas técnicas municipais ambientais –ETMAS- e outros que aqui não citamos

 
 
 
 
 
 
 
 
 
A tartaruga vulgar, Caretta caretta, nidifica nas praias de Cabo Verde e emigra ate os países da costa da Africa Ocidental: Mauritânia, Gambia, Senegal, Guine, Guine Bissau e Serra Leoa (foto saturtle.org)

Das seis espécies de tartarugas marinhas que vivem no Oceano Atlântico, cinco delas são avistadas nas águas de Cabo Verde: as tartarugas verdes, conhecidas localmente como “pardas” (Chelonia mydas); as tartarugas de casco levantado (Eretmochelys imbricata); as tartarugas oliva (Lepidochelys olivacea); as tartarugas de couro (Dermochelys coreacea) e as tartarugas vulgares ou comuns (Caretta caretta). A tartaruga comum é a mais frequente, com uma população desovante que se encontra entre as três maiores do mundo, juntamente com as da Florida e de Oman.
 
As tartarugas marinhas são populações emigrantes presentes em todo o mundo. A tartaruga comum de Cabo Verde, nidifica nas diversas praias das diferentes ilhas do arquipélago, para de seguida emigrar até às costas da África Ocidental, de tal forma que as compartilhamos com países desta sub-região africana, tais como a Mauritânia, o Senegal, a Gâmbia, a Guiné-Bissau, a Guiné Conacry e a Serra Leoa. Após o período da desova, as tartarugas deslocam-se para a Costa Ocidental Africana, até às águas costeiras desses países, ricas em alimento e nutrientes, onde permanecem entre dois a três anos, após os quais regressam a Cabo Verde para completar mais um ciclo de reprodução.
 
 
Entre Agosto e Outubro de 2006, foi realizado um estudo socio-económico e ecológico sobre as tartarugas marinhas das ilhas de São Nicolau, Santo Antão e São Vicente, promovido pelo Instituto Nacional de Desenvolvimento das Pescas de Cabo Verde – INDP. O estudo tinha como objectivos: conhecer algo sobre a existência de tartarugas marinhas nessas ilhas: identificar as espécies mais frequentes; identificar as praias e as zonas de maior ocorrência e os maiores perigos que estes animais enfrentam; reunir informações complementares acerca da contribuição social, económica e cultural das tartarugas marinhas para o desenvolvimento das populações locais.

A tartaruga vulgar, Caretta caretta, visita as praias das ilhas do arquipélago de Cabo Verde, donde podem ser avistadas a desovar (desenho de Sonia Elsy Merino)

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
publicado por INDP às 10:41
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